ANÁLISE ERGONOMICA DO TRABALHO

A NR 17, item 7.1.2. estabelece "Para avaliar a adaptação das condições d e trabalho às caracteristicas psicofisiológicas dos trabalhadores, cabe ao empregador realizar a análise ergonômica do trabalho, devendo a mesma abordar no mínimo, as condições de trabalho conforme estabelecido nesta Norma Regulamentadora.
A análise ergonômica procura colocar em evidência os fato-res que possam levar a uma sub ou sobrecarga de trabalho (física ou cognitiva) e suas conseqüentes repercussões sobre a saúde, estabelecendo quais são os pontos críticos que devem ser modificados.
A análise deve levar em conta a percepção dos trabalhadores sobre suas condições de trabalho e que para transformá-las positivamente, é preciso agir quase sempre sobre a organização do trabalho.

QUANDO INDICAR UMA ANÁLISE ERGONÔMICA

As situações de trabalho a serem analisadas devem ser; prioritariamente. aquelas que estejam colocando algum tipo de problema para os trabalhadores, seja de saúde ou de insatisfação, tais como:
a) trabalho exigindo movimentos repetitivos;
b) queixas de dores musculares;
c) trabalho exigindo grande esforço físico;
d) trabalho exigindo posturas rígidas ou fixas (só sentado ou só em pé, por exemplo);
e) pagamento de prêmio de produtividade;
f) presença de trabalhadores adolescentes;
g) trabalho exigindo grande precisão e qualidade;
h) introdução de novas tecnologia ou mudanças no processo de produção;
i) freqüência e gravidade de acidentes elevadas;
j) outras situações detectadas pelo PCMSO e/ou PPRA.

NR 17- ITEM 17.2- LEVANTAMENTO, TRANSPORTE E DESCARGA INDIVIDUAL DE MATERIAIS

A Consolidação das Leis do Trabalho, no seu Capítulo V, Seção XIV, artigo 198, estabelece como sendo de 60 kg o peso máximo que um empregado pode remover individualmente.
Na sua redação anterior; a NR-1 7 admitia o transporte e descarga individual de peso máximo de 60 kg. Para o levantamento individual estabelecia. 40 kg.
Foi proposta a alteração destes limites na nova redação. O quadro sugerido chegou a figurar na minuta da NR-17, mas como contrariava a CLT, foi re-tirado antes de sua publicação. Por isso, na nova redação não há nenhuma re-ferência a pesos máximos.
Reproduzimos abaixo o quadro proposto que poderá ser usado como referência.

CARGA PARA LEVANTAMENTO (Kg)
- - - ADULTOS JOVENS ADOLESCENTES APRENDIZES
- Homem Mulher Homem Mulher
Raramente 50 20 20 15
Frequentemente 18 12 11-16 7-11


NR 17, ITEM 17.3- MOBILIÁRIO DOS POSTOS DE TRABALHO

O mobiliário deve ser concebido com regulagens que permitam ao traba-lhador adaptá-lo às suas características antropométricas (altura, peso, compri-mento das pernas, etc.). Deve permitir também a alternância de posturas sentado, em pé etc.), pois não existe nenhuma postura fixa que seja confortável.
Entre a população trabalhadora há indivíduos muito pequenos e muito grandes. É difícil conceber um mobiliário que satisfaça a esses extremos. O re-comendável é que o mobiliário permita uma regulagem que atenda a, pelo menos, 90% da população em geral.
As regulagens dos planos de trabalho permitem também uma adaptação à tarefa. Por exemplo: onde há necessidade de aplicação de grandes forças pe-los membros superiores, um plano mais baixo permite que a força seja exerci-da com o antebraço em extensão que é a posição onde se consegue maior for-ça. Por outro lado, se há grande necessidade de controle visual da tarefa (por exemplo. costurar) um plano mais elevado aproxima dos olhos o detalhe a ser visualizado.
Concluindo, o mobiliário deve ser adaptado às características antropométricas da população e também á natureza da tarefa.

NR 17, TEM l7.4-EQUIPAMENTOS DOS POSTOS DE TRABALHO

Os seres humanos sempre procuraram adaptar suas ferramentas as suas necessidades. Nas situações industriais modernas, com a divisão entre planeja-mento e execução, o trabalhador quase não tem oportunidade de influir nas de-cisões de compra dos equipamentos. Fatores como o preço podem decidir as escolhas. Isto leva a inadaptações, aumenta a carga de trabalho. Uma má escolha pode penalizar os trabalhadores durante anos. Alguns conseguem modificar seus equipamentos adaptando-os às tarefas. Mas esta capacidade é limitada.
A opinião dos trabalhadores antes da compra tem mostrado um bom re-sultado em nossa prática de trabalho. Algumas empresas colocam algumas opções para teste.

NR 17, ITEM 17.5- CONDIÇÕES AMBIENTAIS

Condições Acústicas:
Os níveis de ruído devem ser entendidos aqui não como aqueles passí-veis de provocar lesões ao aparelho auditivo, mas como a perturbação que podem causar ao bom desempenho da tarefa, principalmente daquelas que exigem atenção constantante, solicitação intelectual. Muitas vezes, equipamentos ruidosos são colocados em ambientes onde não são necessariamente obrigatórios. Apenas isolando as impressoras em locais outros que não as salas de digitação, temos conseguido melhorar as condições acústicas destes ambientes.

Condições Térmicas:
A NR-17 faz uma menção especial aos locais de trabalho onde são exe-cutadas atividades que exijam solicitação intelectual e atenção constantes. Isto porque nestes ambientes preponderavam baixas temperaturas, correntes de ar e baixa umidade relativa, condições exigidas para o bom funcionamento de computadores. O índice de temperatura efetiva deve permanecer entre 20º C e 23ºC, a velocidade do ar não superior a 0,75m/s e a umidade relativa não inferior a 40 %.

Condições de Iluminação:
A NR-17 remete à Norma brasileira NBR 5413, que trata apenas das luminâncias recomendadas nos ambientes de trabalho.
Um iluminamento adequado não depende só da quantidade de lux que incide no plano de trabalho. Depende também da refletância dos materiais, das dimensões do detalhe a ser observado ou detectado, do contraste com o fundo etc.
Ater-se apenas aos valores preconizados nas tabelas sem levar em conta as exigências da. tarefa pode levar a projetos de iluminamento totalmente ine-ficazes.
A situação mais desejada seria aquela em que, além do iluminamento geral, o trabalhador dispusesse de fontes luminosas individuais nas quais pu-desse regular a intensidade.

NR 17, ITEM 17.6- ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO

A análise da organização é algo complexo, não sendo possível fixar, de antemão, um roteiro aplicável a todas as situações. O método bem como o quê analisar vão sendo estabelecidos paulatinamente, envolvendo os trabalhadores e dependem, em muito, da demanda que motivou a análise.
Em primeiro lugar, não necessariamente o relatório final deve estar restrito aos tópicos da NR 17. Eles servem de orientação que deve permear toda a anali-se. Mas o co-nhecimento de todos é importante para se avaliar a carga de trabalho, já que esta carga vai variar em função de corno o trabalho é organizado

As Normas de Produção:

São todas as normas que o trabalhador deve seguir para realizar a tare-fa. Aqui se incluem desde o horário de trabalho até a qualidade desejada do produto (um erro acarreta conseqüências graves?), passando pela utilização obrigatória do mobiliáno e dos equipamentos disponíveis.
Mas nem sempre tudo é previsto e pode levar o trabalha-dor a um estado constante de incerteza. Este estado pode ser agravado quando as exigências de qualidade se somam àquelas de quantidade.

Modo Operatório:

É o modo como as atividades ou operações devem ser executadas para se atingir o resultado final desejado.
Ele pode ser prescrito (ditado pela empresa) ou real (o modo particular adotado pelo trabalhador para fazer face ás variações dos instrumentos, da 'ma-téria-prima, do seu próprio corpo e das suas motivações),
Uma análise ergonômica coloca em evidência os vários modos operatórios possíveis (prescritos e reais), legitimando os mais confortáveis, e propon-do mudanças nos meios e equipamentos que possam melhorar o conforto e a. segurança. Ou seja, alimentar os graus de liberdade na realização da tarefa.
Aumentar os graus de liberdade na realização da tarefa significa permi-tir que haja vários modos operatórios possíveis e que possam ser adotados em situações diferentes (inclusive aquelas resultantes de variações do estado cor-poral interno). Por exemplo ter a possibilidade de executar a tarefa em pé quando já se cansou de ficar sentado.

A Exigência de Tempo:

Expressa o quanto deve ser produzido em um determinado tempo, sob imposição. Uma expressão equivalente seria "a pressão de tempo."
Toda atividade humana se desenvolve dentro de um quadro temporal: em um dado momento, durante um certo tempo (duração da jor-nada), com uma certa rapidez. em uma certa freqüência e com uma certa re-gularidade (velocidade, cadência, ritmo).
A capacidade produtiva (rendimento de um mesmo indivíduo pode va-riar ao longo do tempo (ao longo de um mesmo dia, semana, mês, ano e a longo dos anos), assim corno variar entre um indivíduo e outro.
Limites mínimos fixados pela empresa podem superar a capacidade de um ou vários trabalhadores colocando em risco sua saúde.
O "ideal" em qualquer situação de trabalho é que não haja exigências estritas de tempo, confiando-se em que cada trabalhador produzirá sem entrar em esgotamento (físico) ou estresse emocional. Isto evidentemente está bem distante do observado na prática e os trabalhadores têm desenvolvido lutas para que as exigências de tempo sejam mais flexíveis.

A Determinação do Conteúdo de Tempo

É o que faz o trabalhador em determinado tempo. Quanto tempo olha, quanto tempo leva para receber ou entregar o trabalho, quanto tempo leva para verificar erros ou tomar decisões.
A Organização Científica do Trabalho procura também determinar rigi-damente o modo de emprego do tempo. A análise pode revelar quanto tempo se leva na execução de atividades não prescritas.. Tal é o caso dos numerosos incidentes que podem ocorrer durante uma jornada. que de-mandam um certo tempo para sua resolução e que não são levados em conta quando se faz o cálculo dos tempos e movimentos.

Ritmo de Trabalho

Aqui devemos fazer uma distinção entre ritmo e cadência. A cadência tem um aspecto quantitativo o ritmo qualitativo. A cadência refere-se á veloci-dade dos movimentos que se repetem em tinia dada unidade de tempo. O rit-mo é a maneira como as cadências são ajustadas e arranjadas: livre (pelo indi-víduo) ou imposto.
O ritmo de trabalho pode ser imposto pela máquina, ou ser gerenciado pelo trabalhador ao longo de um dia, mas que deve ter uma produção x no final dele, ou pode ser influenciado pelo modo de remuneração que é teoricamente um ritmo livre, mas que induz o trabalhador a uma auto aceleração que não respeita a sua percepção de fadiga.

O Conteúdo das Tarefas:

O conteúdo das tarefas determina o modo como o trabalhador percebe seu trabalho: monótono ou estimulante.
Pode ser estimulante se envolve uma certa criatividade, se há unia certa variedade de atividades e se elas solicitam o interesse do trabalhador
A maior ou menor riqueza do conteúdo das tarefas passa também pela avaliação do trabalhador e depende das suas motivações para o trabalho.

LIMITES DA NORMA

A NR-17, como todas as normas, não consegue oferecer soluções para todas as situações encontradas tia pratica. Deve-se vê-la apenas como uma refe-rência. A solução dos problemas só é possível pelo esforço conjunto de todos os interessados.